
Da Omissão à Ilusão: Por Que Continuamos Acreditando em Promessas Vazias Sobre Direitos Básicos
Por Edson S. Ullig (@edynhoeoe)
Acadêmico de Direito – Estácio Fap
Fotos: Tom Cinta Larga (@tomcintalarga2)
Na última semana, a BR-364 foi fechada na ponte sobre o Riozinho, em Cacoal. O motivo? Uma reivindicação legítima pelos direitos básicos garantidos pela Constituição Federal de 1988, especialmente o artigo 196, que assegura a saúde como direito de todos. Quem estava lá? Os povos indígenas, aqueles que habitavam estas terras muito antes de qualquer colonização, e que continuam sendo os primeiros a sofrer com a negligência estatal.
Mas o ponto crítico aqui não é apenas sobre os indígenas. É sobre todos nós.
A Constituição é clara: saúde é direito universal, responsabilidade do Estado, garantida em igualdade para qualquer pessoa, independentemente de classe social, raça ou cor. Na prática, porém, vivemos o oposto absoluto. Um sistema de saúde colapsado, ausência gritante de vontade política, e uma classe política que se revolta quando cobrada por aquilo que prometeu cumprir.
E aqui está o problema maior: quando questionados sobre suas obrigações, muitos políticos respondem com uma frase que deveria ser criminosa: “Isso não é meu dever, foram promessas de fulano.” Espera. Você não foi eleito? Você não é custeado pelos impostos do povo trabalhador? Você não jurou defender os interesses públicos?
Os povos indígenas se rebelaram porque compreenderam algo que muitos de nós esquecemos: direitos não são favores, são obrigações do Estado.
Mas agora, com as eleições gerais se aproximando, o circo recomeça. Candidatos a deputado, governador, senador, todos com o mesmo roteiro desgastado: promessas açucaradas, discursos populares, abraços estratégicos. Aqueles que antes não se aproximavam do povo agora fingem ser seus melhores amigos. E sabemos como termina essa história.
Em Rondônia, o filme é sempre igual. Figurinhas diferentes, mesma trama. Você acredita que existe uma “direita” e uma “esquerda”, como se fossem mundos opostos. Mas nos bastidores, todos trocam tapinhas enquanto vendem essa ilusão para as câmeras. A única divisão real é entre quem manda e quem sofre. E você está do lado de quem sofre.
A reflexão que fica é incômoda: você está criando inimizades com quem está perto de você para defender atores que não ligam para você. Isso é o que a manipulação política faz: nos divide enquanto nos ilude.
A resposta que você der a si mesmo determinará se continuará sendo vítima dessa ilusão ou se finalmente compreenderá que direitos se conquistam, não se pedem.














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