Carreira interrompida de astros mirins pode levar à depressão


maio 4, 2026 • conexaorondonia@gmail.com • Mais Notícias

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Ter fama na infância sem continuidade na adolescência pode ser um agravante para a depressão, segundo a psicóloga Priscila Gasparini Fernandes, especialista em casos de depressão e suicídio. "Manter o reconhecimento das pessoas, as pessoas gostarem de você é um prazer para o ego. A partir do momento que você tem isso e perde é uma agravante para a depressão", explica.

A jovem Yasmim Gabrielle, 17, cantora mirim do programa Raul Gil na infância, morreu neste domingo (21), e há suspeita de suicídio. Ela sofria de depressão.

"Infelizmente nesta manhã perdemos nossa Yasmin Gabrielle. Depressão é uma doença que está acabando com nossas crianças. Que Jesus a receba com amor e que ela encontre paz. Muito triste", escreveu Raul Gil Júnior, filho do apresentador e diretor do programa, nas redes sociais.


A última apresentação de Yasmin no programa foi em 2017, quando ela contou que a mãe havia morrido de câncer, em 2012.

Tristezas, angustias e frustações podem ser desencadeadores da depressão em pessoas que já têm disposição genética à doença, de acordo com a psicóloga. Ela explica que a adolescência é uma fase de ainda maior fragilidade devido a alterações comportamentais e hormonais do período.

"O meio não causa a depressão, mas é um facilitador. Os pais ou adultos pelos quais o adolescente tem identificação, como avós ou tios, devem ficar atentos a mudanças comportamentais que podem ser sinais da depressão, como comer demais ou não comer, dormir muito ou ter insônia, sair muito ou se isolar", afirma.

"O adolescente fica triste, prostado, angustiado, irritado", completa.

Ela ressalta que não existe uma epidemia de depressão entre adolescentes. "O que ocorre é que hoje há um melhor diagnóstico e a depressão é tratada como doença", explica.

Segundo ela, no caso de mudança de comportamento, é importante tentar se aproximar do adolescente, seja tentando conversar ou se colocando à disposição. "O adolescente se sente muito sozinho. Ele precisa sentir que é amado e que conta com um apoio. É importante que ele seja encaminhado para um especialista para o tratamento da depressão", diz.

A psicóloga explica que a depressão leve pode ser tratada apenas com psicoterapia. Já a moderada e grave exigem tratamento com medicação própria.

 

"O suicídio ocorre quando o instinto da preservação da vida é dilacerado, quando há um desequilíbrio na saúde mental. Existe uma diferença muito grande entre querer chamar a atenção e se matar. Por isso a importância de um profissional especializado", destaca.

O Brasil é o país que mais apresenta casos de depressão na América Latina. Quase 6% da população, um total de 11,5 milhões de pessoas, sofrem com a doença, segundo dados da OMS.

Depressão: os sintomas são desmotivação, tristeza sem motivo, desinteresse pela vida, alteração no apetite e sono, irritação e cansaço. A psiquiatra Carolina Hanna, do Hospital Sírio-Libanês, explica que a depressão tem mais de uma causa que envolve fatores comportamentais com o desequilíbrio de neurotransmissores, como a serotonina, que regula o humor, e a dopamina, responsável pela sensação de bem-estar. O diagnóstico é feito pelo psiquiatra e o tratamento engloba terapia e medicamentos, podendo ser utilizados de maneira conjunta ou não.

Esquizofrenia: a esquizofrenia é um transtorno psiquiátrico que ocorre por uma predisposição genética. A psiquiatra afirma que existem estudos que mostram que se trata de uma dificuldade na comunicação entre os lados direito e esquerdo do cérebro. Geralmente se manifesta a partir dos 20 anos por meio de alucinações e delírios. Segundo a psiquiatra, a manifestação mais comum é a de ouvir vozes. O diagnóstico é feito pelo psiquiatra e o tratamento consiste em uso obrigatório de medicamentos, que bloqueiam as alucinações, associado à terapia com psicólogo, terapia familiar, para ajudar a aceitação do tratamento, e terapias ocupacionais

Transtorno bipolar: é um transtorno mental crônico caracterizado por oscilações de humor, que podem ir de episódios depressivos e episódios de mania ou hipomania, com aumento de energia, aceleração do pensamento, humor exaltado ou irritado. Os episódios podem durar de uma semana até anos. O diagnóstico é feito de maneira clínica por um psiquiatra. O tratamento inclui medicamentos estabilizadores de humor e terapia. A psiquiatra explica que não há mudança de humor repentina, como "estar triste e depois de cinco minutos estar feliz". Esse tipo de oscilação de humor pode se tratar de personalidade imatura, um sintoma de outra doença, o transtorno de personalidade.

Transtorno de personalidade: é um transtorno que se manifesta no início da vida adulta em decorrência de um conjunto de fatores: genética, aspectos psicológicos e o meio em que a pessoa vive. A pessoa com este transtorno apresenta um padrão de resposta emocional inflexível e fora do padrão, com grande dificuldade em se relacionar com as pessoas. O diagnóstico é feito pelo psiquiatra e o tratamento envolve terapia e medicamentos. Tem três classificações: transtornos excêntricos ou estranhos, como o transtorno paranoide; transtornos dramáticos, como o Borderline; e transtornos ansiosos ou receosos, como o transtorno de personalidade dependente .

Transtorno de personalidade borderline: também chamado de transtorno de personalidade emocionalmente instável, se caracteriza por intolerância a frustrações, sensação crônica de vazio, oscilação de humor intensa e grande vulnerabilidade com a autoimagem. Alguns casos também apresentam pensamentos recorrentes de suicídio. De acordo com a Associação Brasileira de Psicologia (ABP), pessoas com Borderline associado à depressão apresentam maior número de episódios depressivos e início de sintomas mais precocemente

Transtorno de ansiedade: se caracteriza pelo grau exagerado em relação à ansiedade natural.  Entre os sintomas estão coração acelerado, falta de ar, tremor, suor excessivo, irritação e extrema preocupação. Os transtornos de ansiedade podem se apresentar como síndrome do pânico, transtorno de ansiedade generalizada (TAG), transtorno obsessivo-compulsivo (TOC) e transtorno de estresse pós-traumático. As causas combinam fatores genéticos a ambientais. O tratamento é feito por meio de terapia e medicamentos, de acordo com a orientação de um psiquiatra 


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